A Caixa Econômica Federal (CEF) abriu no fim de maio último, um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com a desculpa de que precisava “economizar” R$ 716 milhões ao ano. Dos 84 mil trabalhadores e trabalhadoras do banco, 3.500 aderiram ao PDV.

Agora, menos de três meses depois, a direção da CEF volta atrás e quer que 2 mil bancários, todos atendentes em agências, adiem suas saídas (muitas com datas já marcadas),  sob a alegação de que precisará atender os trabalhadores que forem sacar o Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS), liberado pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).  

Para o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Dionísio Reis Siqueira, a decisão é um escárnio tanto para com os trabalhadores como para a população em geral que vem enfrentando piora no atendimento por falta de funcionários.

“Estamos falando de 100 milhões de trabalhadores e trabalhadoras que têm dinheiro no Fundo de Garantia para ser sacado. Será uma enorme dificuldade no atendimento porque já estamos com menos funcionários do que a CEF de fato precisa”.

Segundo ele, em 2014, a CEF tinha 101 mil trabalhadores e um déficit de 2 mil. Este ano, está com 84 mil – 17 mil a menos.

“Dependendo do cronograma do saque do FGTS será uma sobrecarga de trabalho generalizada”, avalia Dionísio, que também é diretor-executivo de Relações Sindicais e Sociais do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

O dirigente critica ainda o jogo da direção da CEF, que anunciou a possível interrupção das demissões incentivadas por meio de um vídeo feito por um vice-presidente e um diretor do banco, em colocar a população contra os trabalhadores como se eles fossem os responsáveis pelos problemas no atendimento da instituição.

Dionísio conta que a direção do banco fez uma reestruturação que prejudicou os funcionários e  milhares aderiram aos planos de demissão. Segundo ele, a Caixa transferiu da área de suporte para as agências milhares de trabalhadores e, ao mesmo tempo, abriu um PDV. As mudanças entre setores provocaram desentendimentos internos e insatisfações e, como havia muitos funcionários em vias de se aposentar, eles acabaram aderindo ao PDV e se aposentando.

“Impedir os trabalhadores que aderiram ao PDV de sair, agora que eles já têm seus planos pessoais é inadmissível. É mais um desrespeito da direção da Caixa com os trabalhadores. O banco tem de manter o PDV e ainda dar melhores condições de atendimento à população”, afirma.

PDV e saques do FGTS são partes do processo de desmonte

O diretor do sindicato avalia que a proposta do governo de Bolsonaro de facilitar o saque do FGTS é, na verdade, uma forma de desmonte da Caixa, que centraliza os depósitos do Fundo de Garantia e privilegiar o mercado financeiro que está de olho nesses recursos.

Fonte: CUT Brasil

Artigos Relacionados
Leia mais em CUT

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Veja também

STF autoriza licença de 180 dias para servidor pai ‘solo’

Os ministros do STF negaram recurso do INSS contra decisão do TRT-3 e decidiram que é cons…